O lugar tem muito verde, é tranquilo, silencioso e colorido.
Só que o contrário.
Assim é o local onde estou temporariamente hospedada: a casa dos meus pais!
Dividindo o quarto com meu filho, uma geladeira e o fogão, estou por aqui até meados de março quando conseguirei, se tudo der certo, liberar meu apartamento do cativeiro burocrático!
Já tentei agilizar o processo, pagar resgate, subornar a gerente do banco. Tudo em vão. Tentei, por meios legais e ilegais, diminuir regras e procedimentos redundantes, desnecessários ao funcionamento do sistema de moradia. Não rolou.
Me resta assumir o papel de “o bom filho a casa torna” e gozar de alguns meses sem pagar conta de luz, condomínio e telefone.
Aqui é só amor.
Só tem dois probleminhas básicos:
1 – Como toda mãe que se preze, a minha acha que eu preciso engordar! Me empanturra de guloseimas compradas especialmente para mim e Victor como se tivéssemos chegado diretamente da Somália. Estou me sentindo a Maria, da história de João e Maria, onde os dois ficam presos numa casa construída de biscoitos e chocolates. A diferença é que aqui, além dos biscoitos e chocolates tem empadas, coxinhas, tapioca, musse de chocolate, pudim de leite e todas as outras coisas com mais de 897 calorias por porção. Pra Victor tá beleza, porque em fase de crescimento um pacote de Bis é só a pré sobremesa antes do pavê de sonho de valsa.
Para mim, o crescimento tem sido no sentido horizontal, e não vertical.
O objetivo da minha mãe é que, quando meu apartamento for liberado, eu esteja pesando 283 k e não consiga passar pela porta, o que me obrigará a ficar morando aqui para todo o sempre.
2 – O segundo probleminha é que meus pais devem ter sido italianos na encarnação passada: adoram barulho. Todo e qualquer. Música, televisão (3 ligadas ao mesmo tempo o dia TODO),jogo no rádio e telefone . Tudo isso num prédio em frente ao Carrefour onde passam carros, ônibus, ambulâncias e muitos, muitos caminhões que abastecem o supermercado do outro lado da rua.
Então, no meio desta suruba alimentar/auditiva, coloco meu phone de ouvido e vou para o gloogle pesquisar minha casa perfeita.
Ela seria silenciosa, com janelas amplas, estantes com muitos livros, verde ao redor e cor. Muita cor.
Como meu apartamento novo não vai ter janelas amplas nem vai ser tão silencioso assim, vou me concentrar nas estantes com livros, em algum verde e na cor. Muita cor.
Acho que posso ser feliz com a trilogia: livros/plantas/cor!
E você, precisa de que para ser feliz?
A felicidade deveria ser Refill Free.
Gastou? Vai lá e repõe.
- Mais 18 dias de felicidade, por favor.
- Vai querer amor eterno para acompanhar, senhora?
- Não, hoje só vou levar felicidade mesmo, obrigado.
Acontece que estão gastando a felicidade por aí, indiscriminadamente, nos momentos errados. Os comerciais de margarina, por exemplo, são responsáveis por 18% de todo o consumo da felicidade mundial. O resto é dividido entre fotos do FaceBook e panfletos de empreendimentos imobiliários.
Para que, eu me pergunto, tanta felicidade naquela moça que está mostrando uma cozinha de um apartamento de 61m2?
Estão inflacionando a felicidade, essa é a verdade.
Diminuindo a oferta, desse jeito, vai ficar impossível atender à demanda.
Porque demanda de mercado é a soma de todas as demandas individuais, e não precisa ser nenhum economista de Harvard pra saber que todo mundo quer ser feliz (nessa porra).
Então, venho através desta, solicitar que parem de gastar a felicidade aleatoriamente, por aí.
Nada de ficar feliz porque fulaninho não foi eliminado do BBB. Nem porque sicraninha vai posar na playboy. Muito menos porque o galã mauricinho conseguiu, finalmente, conquistar a mocinha na novela das seis.
Assim como a escassez de água, a da felicidade pode se transformar num problema de impacto global.
Posso até imaginar um mundo sem água, regado à coca light e vinho de 9,90.
Mas sem felicidade é foda!
A cena se repete.
Escovar os dentes, xícara de café preto, computador.
Certeza absoluta que Chico escreveu “todo dia ela faz tudo sempre igual” pra mim.
Enquanto o computador inicia, coloco duas colheres de açúcar na dose diária de cafeína.
Primeiro gole, www.gmail.com
- Ai, quente, quente.
Soprinho de leve.
No segundo gole, a senha do email enquanto abre a página do twitter.
Na sequência, as páginas do face e dos comentários do blog simultaneamente.
Dou o terceiro gole no café enquanto tudo está carregando ao mesmo tempo.
São segundos. Quase milésimos de segundos enquanto as páginas abrem seus conteúdos como as caixas de pandora da nossa vida virtual.
Cenas corriqueiras das gerações X, Y, Milenium.
Todas juntas numa sopa de cyber letrinhas.
A questão, e é sobre isso que eu quero falar, é a ansiedade e a tensão que se cria milésimos antes das páginas se abrirem.
Não tenho ideia do que eu imagino que possa acontecer, mas é como se todos os dias eu abrisse o site que vai dizer se meu bilhete da vida foi o premiado.
É como se diariamente eu esperasse o email que vai me salvar, a DM que faltava, o tweet herói no cavalo branco.
Juro que não sei o que é. Se é um email com uma oferta milionária de emprego, se uma mensagem no Facebook de Brad Pitt dizendo que vai largar Angelina para vir para o Brasil me conhecer, se é uma DM de João da Costa avisando que vai desistir da candidatura. Não sei o que espero. Talvez tudo isso junto. Talvez nada disso.
Talvez seja simplesmente esse fio de esperança diário que faz com que a gente pense: “talvez amanhã”.
E amanhã a gente acorda e pensa, “talvez seja hoje”.
E escova os dentes e esquenta o café e carrega o gmail.
Maria, 5 anos, estava por ali enquanto eu estava por aqui escrevendo. Tentando
- Tia, vamos jogar Perfil.
- Já já. Agora estou trabalhando.
Correu, cantou, virou duas cambalhotas.
- A agora? Vamos brincar de Polly?
- Me dá 10 minutos Maria.
Foi na cozinha, tomou um toddynho …
- A agora? pode brincar agora?
-Maria, se tu ficar aperriando não vou terminar isso nunca.
Sentou no chão, suspirou e disse (juro por Deus):
- Sabia que corpo sem alma é parquinho do diabo?
Tirei os olhos do computador pela primeira vez.
- Como?
Ela repetiu pausadamente.
- C-o-r-p-o s-e-m a-l-m-a é p-a-r-q-u-i-n-h-o d-o d-i-a-b-o.
Larguei tudo e fui jogar Perfil o resto da tarde.
Porque com diabo não se brinca. Nem no parquinho!
Vai saber…
Desde então fiquei com vontade de ligar para o pessoal da PM e perguntar:
- Sabia que corpo sem alma é parquinho do diabo?
Pode ser que eles não respondam. Mas que vão prestar atenção na pergunta, vão!
Da série: mãe louca X filho adolescente.
No episódio de hoje, a prova final de que são os filhos que influenciam os pais, e não o contrário.
Saímos para comprar novas armações para nossos novas lentes. Meu foco era: óculos pequeno, para leitura, discreto, com cara de “tenho quase quarenta”.
Saí da Chilli Beans de oclão e cara de adolescente. Segundo Victor e o moço da loja, armação pequena é “so last season”.
Então estamos nós, mãe/filho gêmeos de óculos (não, não são iguais, mas são QUASE).
Óculos iguais mas idade mental diferente – porque Victor tem muito mais juízo que eu!
Certezas caem por terra tão rápido quanto o Costa Concórdia em águas italianas.
A Terra já foi plana, o sol já foi Deus, o Papa já foi pop.
Pior se a certeza for absoluta. A queda é maior do que a aprovação popular de Eduardo Campos neste momento em Pernambuco.
As certezas mudam de acordo com os anos, a direção do vento e a umidade relativa do ar.
E mudam, principalmente, de acordo com a sua distância em relação à verdade.
É como sofrer por amor: é lindo na novela, mas na pele não tem cena em slow nem sobe som de Lionel Richie.
Poesia é a mãe, pensa você na hora que levou o pé na bunda.
E, apesar de óbvio, só descobri isso hoje, assistindo o telejornal local.
Na minha cabeça lírica, poética e levemente alienada, típica da minha geração, havia um “romantismo artístico” na ditadura.
Não da ditadura, mas de quem viveu na ditadura.
Imaginava uma juventude politizada e uma sociedade engajada. Justificava, até algumas horas atrás, nossos Michel Telós e BigBrothers com o argumento da falta de ideologia. Se vivêssemos sob a marcha dos militares, pensava eu, novos Chicos estariam escrevendo novos “apesar de você” e não estaríamos dançando “ai se eu te pego” nem levantando o mamãe-sacode por aí.
Até que, a ditadura soprou seu bafo morno no meu cangote e eu mudei de opinião em três segundos. Foi tudo que levou meu amigo, três segundos.
Quando assisti, na televisão, a um policial militar carregando uma estudante de vinte e poucos anos pelo pescoço, nos dias de hoje, na minha cidade, pensei: “vou abrir um fã clube de Teló e confeccionar mamãe-sacodes para distribuir com as amigas”.
Porque, caro colega da minha geração, se o preço a se pagar por uma classe artística de qualidade for a falta de liberdade de expressão dos jovens e cidadãos do Recife, vou ser a primeira a dançar “ai, se eu te pego”em praça pública com direito a coreografia.
Tentei ser imparcial, isenta de partidarismo, fria e calculista, mas, diante da cena eu pergunto:
- Que porra (com licença da palavra de baixo calão) está acontecendo no Recife?
Como um protesto pacífico contra o aumento de passagens se trasformou no novo AI5?
Vou ter que fazer as malas e me exilar na Noruega?
* nota para os não pernambucanos: Eduardo Campos, o Governador do Estado, ainda não justificou as recentes ações da nossa polícia. As passagens de ônibus subiram 6,5% é tudo que o Governo tem a dizer por enquanto.
Obs – Me parece que a primeira foto abaixo é da Folha de PE. Não tenho certeza(colocarei o crédito assim que confirmar).
Imagens abaixo via Brasil247 – dica da leitora Clarissa Mendes
Ócio. Puro e simples.
Poderia ser criativo, mas não chega a tanto.
Assim tem sido meus dias: uma falta de ter o que fazer acompanhada por uma preguiça de arrumar o que fazer.
Uma única coisa me acompanha nos dias de ócio: a culpa.
Porque a sociedade nos ensinou que não fazer nada é pecado. Uma ameaça à sociedade, diria o Papa.
Mas assim são os dias de freela (free lancers, a.k.a – profissionais autônomos).
Um monte de coisa hoje seguido por um monte de nada amanhã.
Riqueza e abundância num dia, cheque especial no outro.
O fato é que eu já deveria estar acostumada; sou freela há, pelo menos, uns dez anos.
É verdade que me acostumei a fazer contas (para equilibrar o desequilibrado orçamento familiar), me acostumei a estar sempre em lugares diferentes com pessoas diferentes, a trabalhar nos domingos e “folgar”nas segundas, a não ter chefe, a não ter horários, a pagar meu próprio INSS. Me acostumei até a sair para trabalhar enquanto as pessoas normais estão indo dormir.
Não, não sou vigia noturno. Sou diretora de filmes publicitários.
E, ô mania que esses publicitários têm que querer que a gente filme o sol nascendo, leia-se: quatro horas da manhã, ou ator global famoso que só tem agenda livre entre 11h da noite e 3 da manhã.
O porteiro do meu prédio não entende nada. Me olha estranho.
Com razão!
Qual é a moça de família que chega do trabalho às 3h da manhã? Ou pior, sai para trabalhar às 3h da manhã? Só as que são da família de Odete.
Então, já até me acostumei a ser “gentilmente” confundida com as meninas de Odete.
Só não me acostumo com a culpa.
Essa culpa que vai comigo para o shopping no meio de uma tarde de uma quarta-feira e imagina que as pessoas imaginam que eu sou uma dondoca que não trabalha e por isso pode passear num shopping no meio da tarde de uma quarta-feira.
Se a moça da loja diz bom dia, eu vou logo respondendo que sou freela e que virei três noites trabalhando na última semana e por isso, e só por isso, estou ali no meio de uma tarde de uma quarta-feira.
- E eu com isso? Ela deve pensar.
Mas eu ignoro a cara dela de “o que essa louca está falando?” e continuo me explicando mesmo assim. Já pensei até em usar um bottom: “Desocupada é a mãe. Eu sou freela”.
A culpa também não me deixa dormir até tarde, mesmo que eu não tenha nada para fazer numa segunda-feira. Não me deixa fazer uma farra nas terças nem assistir a sessão da tarde nos dias de quinta.
Uma culpa de quem aprendeu que o certo é trabalhar de segunda à sexta, bater cartão, falar mal do chefe, ter décimo terceiro, um mês de férias por ano, ticket refeição e dia certo para receber salário.
Ok, eu até toparia essa parte de “ter dia certo para receber salário”.
Hoje é sábado e eu fui ao Shopping. É ótimo ir aos shoppings nos sábados.
É claro que tem o incômodo de não ter vaga no estacionamento, de ser lotado, de ter fila na lojas, ser barulhento e quase insuportável.
Mas, tem a grande vantagem de eu poder me misturar, sem ser percebida, às milhares de pessoas que têm empregos fixos.
Ali, na praça de alimentação, posso pedir meu folhado de palmito sem que a atendente saiba que eu não tenho carteira assinada.
Me misturo aos normais como se fosse um deles. E só nos sábado posso fingir que tenho FGTS, licença maternidade, seguro-desemprego e aviso prévio.
- Mas Teta, porque você não arruma um emprego fixo?
- Porque ser freela é tão mais legal!
Adoro ser freela.
Odeio ter culpa!
Por isso, o ócio de janeiro me mata.
Além da tradicional camisa “compra aí pra ajudar a pagar a orquestra, vá lá” esse ano o Eu Acho é Pouco vem com uma novidade. Quer dizer, novidade não é bem a palavra, é uma releitura de uma novidade: a venda do tecido estampado.
É, a bem dizer, um remake! É que no carnaval de 1985 a ideia de vender o metro do tecido estampado foi sucesso público! Vendeu que nem água. O bloco ficou lindo porque tava igual porém diferente. Todo mundo com a estampa mas cada um com um modelo diferente.
Aí esse ano tem revivel! A estampa, assim como a camisa, foi criada pela designer Valentina Trajano.
Bora “comprar o metro pra ajudar a pagar a orquestra, aê”
*Camisas e tecido a venda na AVESSO.
Olha aí a estampa de 85 e a belezura que ficou o bloco ( e eu pagando buchinho)!
Assim como o amado/odiado Cláudio Assis, autor da frase título deste post, reagir é a palavra de ordem para os cineastas pernambucanos. Deve, inclusive, estar no job description deles. Porque ser cineasta e ser pernambucano ao mesmo tempo, não é tarefa das mais fáceis.
Reagir contra o que? Quem? Por que? Como?
Responder essas e outras perguntas é o objetivo principal da série OLHAR, dirigida pelo também pernambucano Camilo Cavalcanti. Nela, entrevistas com os principais representantes da sétima arte no Estado, falam sobre vida, processo criativo e arte
Uma conversa informal mas provocativa.
Simples mas instigada!
A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte.
E, para quem quer reagir e não rastejar , toda segunda-feira tem um episódio no Canal Brasil
Fica a dica!
Segue trailer.
Série OLHAR – Teaser from Aurora Cinema on Vimeo.
Parece que o bloco da PM resolveu fazer sua prévia antecipada.
Colocaram a fantasia e saíram para a festa.
No meio da brincadeira, esqueceram que era Carnaval e resolveram dar porrada na vera.
Nos estudantes.
Logo nos estudantes?
Pelo que tudo indica, o Governo anda assistindo muita televisão e, no meio da confusão, confundiu os protestos. Achou, eu imagino, que os recifenses estavam querendo fumar maconha em praça pública (vide São Paulo) ou derrubar o Prefeito (vide Salvador).
Mas não, seu moço. Os meninos estavam protestando contra o aumento de 6,5% na passagem de ônibus.
Estou, vejam vocês, querendo levar o assunto para o lado positivo! Me recuso a acreditar nesta mostra gratuita de violência estilo “AI5 está de volta, corre todo mundo!”.
“We are 99%” dizem os gringos no protesto da cidade maça. Lá, bem vestidos e com bochechas rosadas, os yankes são contra a desigualdade social, essa vilã mundial.
Acho válido, mas também acho vago.
Mas, para eles, deve ser difícil fazer um protesto mais focado. Imagino a reunião dos gringos decidindo sobre o que reclamar:
- Vamos falar mal do transporte.
- Mas aqui tem metrô, trem, ônibus e tudo funciona.
- Puts, é mesmo. Então vamos reclamar da educação. Não, não, esquece, essa também é boa.
- Já sei, saúde. O foco vai ser a precariedade da saúde.
- Que precariedade?
- Meu irmão, assim fica difícil. Então vai ser a desigualdade mesmo! Essa deve existir aqui.
Existe, porque desigualdade existe desde o dinossauro maior comia o dinossauro menor.
- Formou, então vai ser a desigualdade.
É vago, mas e daí? É válido.
Não vamos culpar os estrangeiros. É só falta de costume de ter do que reclamar.
No Recife, é só um pouquinho diferente.
Aqui, tem que fazer uma lista de prioridades para não haver engarrafamento de passeata.
- A de hoje qual é? A farra da gasolina dos vereadores?
- Não, essa pauta caiu. O vereadores ficaram com medo, por conta da reação nas redes sociais. A de hoje pode ser a incompetência do prefeito, a sujeira das ruas, o preço do material escolar, a falta de escolas públicas de qualidade, os buracos nas ruas…
Enquanto isso, na sala da injustiça, uma reunião a portas fechadas, definia novos preços para passagem do transporte público. O aumento, como pedia o Governo do Estado, ficou em 6,5%.
A passeata, como manda o costume democrático, deveria ser tranqüila.
Confusão mesmo só no trânsito, que fica caótico com qualquer espirro.
Iam andar, gritar “”Se a passagem aumentar, o Recife vai parar” e carregar suas faixas.
Mas, o que parou mesmo foi a passeata, graças à barricadas feitas pela PM na Conde da Boa Vista
E, para animar a festa, bombas de efeito moral, balas de borracha e spray de pimenta.
Resultado?
Um cidade com passagem alta e nenhuma liberdade de expressão.
Cenário : Mesa de lanchonete.
Interior – dia.
Personagens: filho adolescent e mãe louca.
Victor segurava a senha de chamada do lanche enquanto eu, para matar o tempo, apagava as mensagens antigas do celular.
Nada como um almoço interativo em família!
Sem tirar o olho do painel, aquele que vai mostrando o número da senha chamada, ele disse com voz solene:
- Eu queria saber sua opinião sobre brinco.
Assim mesmo, sem nenhuma preliminar.
- Brinco? Eu disse bem lentamente para ganhar tempo enquanto meus neurônios se atropelavam para encontrar a resposta certa.
E ele, assim como Brutus, deu a facada final nas costas de Júlio César e disse:
- Brinco não. Alargador.
Palpitação, taquicardia, falta de ar.
Não bati o carro porque não estava num carro.
Não me engasguei porque o almoço não tinha chegado.
Mentalmente eu bati o carro enquanto me engasgava.
- Acho ótimo, eu disse calmamente.
Essa foi a mentira mais deslavada que saiu da minha boca nos últimos 38 anos de vida. Mas, era preciso ganhar tempo e achar os motivos certos para tirar essa ideia da cabeça de Brutus. Quer dizer, Victor.
- Acho ótimo filho, mas…
As mães são assim, sempre arrumam um jeito de colocar um mas no meio da frase e, entre uma vírgula e outra, enfiar um discurso cheio de caretice, preconceitos e estereótipos.
Como eu me encontro na categoria MÃE, fiz o devido uso do mas, que me é de direito e continuei, no maior cinismo:
- …. mas o problema do alargador é que depois fica o buraco, né? Não fecha mais.
Se existisse uma lista de argumentos ridículos, este estaria, com certeza, no início da lista. Tipo no TOP 5!
Mas falei séria e pausadamente, para ele não desconfiar da babaquice da minha resposta.
- Só vou colocar até o 8. O buraco grande só fica depois do 12.
- Ah, existem números. Como é isso?
Esta pergunta foi estratégica para que, enquanto ele explicasse sobre os números, milímetros e processos do alargador, meu cérebro e coração se entendessem e conseguissem chegar a um acordo. Eu podia sentir o movimento dos neurônios dentro da minha cabeça, correndo de um lado para o outro, procurando, desesperados, um argumento menos imbecil.
Neste momento, ouvi o eco de um impulso nervoso gritando lá longe: dor, dorrrrr.
- Deve doer, né?
Eu disse numa falsidade capaz de ganhar o Oscar de melhor atriz dramática.
- É. Isso é verdade. É por isso que eu ainda estou na dúvida se vou ou não colocar. Minha amiga disse que dói que só.
Cesta de três pontos para mim!
Isso Teta Barbosa, agarra o argumento dor com se fosse a dor de um parto normal.
-É, deve doer muito. Sem falar que é ruim para dormir com a orelha ardendo, a pessoa fica sem posição. Deve ser horrível.
A essas alturas, eu já estava fazendo caras e bocas, expressões de medo e pavor.
- É, vou pensar melhor no assunto.
Foi a última frase que ele disse antes de levantar para pegar o cheeseburger sem verdura e milk shake de 700ml, porque a senha 5057 apareceu no painel.
And the Oscar goes to….
Já me imaginei recebendo a estatueta da festa hollywoodiana, num vestido Chanel e jóias da Tiffany, quando me veio a pergunta:
- Mas porque danado eu não quero que Victor coloque um alargador?
Acho que é porque ele é meu bebê e eu quero que ele continue sendo meu bebê. E bebês, minha senhora, não costumam sair por aí de alargador número 8 na orelha.
Então, estamos aqui eu, minha caretice e meu preconceito comendo um Cheese Filé sem maionese enquanto minha consciência diz:
- Hipocrisia, sai deste corpo que não te pertence!
Fade out.
Créditos finais.
Sobe som.
“ Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais…”
The End.
* Essa cena aconteceu de verdade. Hoje no Bugaloo do Carrefour.
FabianaOliveira é linda! Nascida e criada no Recife, a moça, que hoje faze sucesso no editoriais de moda, nem sempre teve uma vida fácil! Já foi até demitida de um emprego porque seu jeito afeminado (antes da operação de mudança de sexo), “pegava mal” para os funcionários e alunos (Fabiana era professora).
Nem a faculdade de psicologia e o diploma em inglês (pela da Universidade da Pensilvania) fizeram o preconceito desaperacer.
Mas a moça não tava nem aí! Se arretou de vez e resolveu que “se é pra ser feliz, que seja do meu jeito”! E colocou silicone e mudou de sexo e virou Fabiana, de uma vez por todas.
Aí pronto! Fotos, flashes, desfiles, editoriais! Claro que tudo isso se deu um pouco depois do sucesso de Lea T, a primeira modelo transex a fazer sucesso no eixo Rio/SP. E, quando o povo fashion abriu esse espaço e mostrou que a moda é livre de convenções, modelos como Fabiana começaram a ter seu espaço ao sol.
Já não era sem tempo!
Por aqui, nem tanto, diz ela. “No Recife os clientes ainda acham estranho. E os que me chamam é porque ainda não sabem que já fui homem.” Ela vive na ponte aérea Rio/SP.
Allow Recife, acorda para o mundo!
Trimmmmmmmmmm.
- Alô tia? Avisa a todo mundo da família que faz quatro dias que eu não durmo de fralda!
- E sem fazer xixi na cama?
- Tu acha que se eu fizesse xixi na cama, eu ia ligar pra contar?
- Maria, já tava na hora de tu largar essa fralda mesmo, visse? . Cinco anos e dormindo de fralda é demais!
- É né? Então não diz nada pra ninguém. Assim, eles vão pensar que eu durmo sem fralda desde os três.
Moral da história: NEM TODA VERDADE PRECISA IR PARAR NUM OUTDOOR!
É dia de paredão no Batida Salve Todos!
Vou ser a primeira a votar no confessionário (porque sou a dona do blog e isso aqui não é uma democracia).
- Gostaria de votar na miséria.
Não é nada pessoal, é falta de afinidade mesmo.
Acho que essa coisa de ainda ter gente passando fome super ultrapassada.
Pensei em votar na corrupção e eliminar ela de uma vez por todas desse confinamento, mas isso aqui é um jogo, né? Se o próximo paredão for duplo, mando a criminalidade e a violência juntas. Acho que elas não merecem fazer parte desta grande nave-mãe que é o Brasil. Estou tranquila, porque mesmo sem votar na desigualdade social, mais cedo ou mais tarde, as máscaras vão cair, e ela vai ser eliminada do jogo.
Ainda não sei quem vai ganhar esse reality life, mas espero que sejam os verdadeiros heróis e guerreiros deste país: os trabalhadores. Aqueles que acordam cedo, batem ponto, pagam seus impostos, ficam nas filas da saúde pública e sustentam suas famílias com um salário mínimo.
E você, vai mandar quem para o paredão de hoje?
A situação é a seguinte: depois de ser maquiada por Teo Miranda e fotografada por Ronald Luv, eu quero largar tudo e me inscrever no America’s Next Top Model! Gente, maquiagem e luz fazem MILAGRES na vida de uma pessoa. Mesmo eu, no “alto” dos meus 1,63m posso virar top model a la Gisele (se eu tivesse Teo aqui em casa todo dia, claro).
Ok, vamos ao que interessa: nos juntamos para preparar um editorial com ideias de maquiagem de carnaval para vocês. Porque, CLARO, o make faz TODA a diferença no seu look carnavalesco.
E o bom do carnaval é que pode tudo. Pode misturar verde com laranja. Pode colocar brilho até enjoar. Pode, pode e pode.
Então vamos aos looks:
No primeiro a gente pensou num look para o dia! Tipo para você que vai subir as ladeiras atrás do EU ACHO É POUCO, vai ver a MANGUEIRA ENTRAR ou vai para prévia do AMANTES DE GLÓRIA. Carnaval de dia. Um look BOCA, ou seja, capricha na cor do batom e te joga.
O look 2 é OLHO tudo e BOCA nada. Pra isso, Teo se jogou numa mistura inusitada: verde com laranja. Muito rímel (muito mesmo) e uma boca cor de boca.
Para o terceiro look, a gente pensou em quem vai para os bailes. Pode ser o Municipal ou o Siri na Lata (eu vou ver Sônia Braga, claro). Aí, Teo se jogou no brilho como se não houvesse amanhã e colocou um azul lindo para realçar o pretinho (nada básico).
Pra quem quiser o contato de Teo, segue o celular do rapaz: 99270044
Os acessórios de cabeça foram cedidos pela fofa da Juana Moura que faz umas coisas lindas de morrer. É só clicar AQUI para conhecer o blog dela.
No mais, estarei no meu camarim aguardando os convites para desfilar no próximo São Paulo Fashion Week. Huauhauhaua.
10 h – Dentista
11h 30min – Reunião de briefing. Agência.
14h – Passar na imobiliária. Assinar compra/venda
16h – Oculista Victor. Aproveitar e passar com ele no Colégio para comprar a farda 2012.
17h 30min. – Reunião de pré produção na produtora.
* não esquecer de ligar para o contador.
Agenda é assim: indispensável. A gente olha mais na agenda do que no relógio.
Sendo assim, que ela seja bacana e, no mínimo, linda. Afinal você vai olhar pra cara dela, pelo menos, cinco vezes por dia.
Aí descobri ontem a Agenda AfroBrasileira (que está vendendo na Avesso e na Chá com Chita – lojas que eu amo). O projeto é, além de cultural (com a história dos nossos amigos africanos), artística. Ela é recheada de obras de arte de artistas africanos. Cada coisa mais linda do que a outra.
E, já que você vai ter que checar a hora do dentista, que seja numa página linda com uma obra de arte olhando para você.
Aém da Avesso e Chá com Chita, tem em outros lugares pra vender também.
Seguem as info:
Agenda AfroBrasileira – R$ 45 – À venda nas lojas Avesso, nas Graças (Telefone: 3301-7690), Chá com Chita (81.3267-6662) e na Doce de Ler – Shopping ETC, Aflitos (Telefone: 81.3241-6871). Ou pelo 81.9775-6141.
Já é oficial: o carnaval começou.
Talvez não para você que mora em Curitiba. Nem para você, amigo paulista.
Também ainda não é carnaval para Luiza, coitada, que está no Canadá.
Mas, se você mora num raio de 30 km do Recife, já está na festa. Com o pé atolado no carnaval.
E não é porque a gente mora no carnaval. É porque o carnaval mora na gente!
Começamos com as prévias, os ensaios, os bailes, as festas.
Enquanto vocês assistem novela, a gente diz: eu acho é pouco!
Porque por aqui Michel Teló perdeu a vez e passou o bastão para o hino do Elefante.
Aqui não tem dancinha do “se eu te pego” porque os amantes de glória já pegaram todo mundo! Ninguém faz coreografia que não seja de frevo.
Ninguém levanta o mamãe sacode, nem fica no cordão de isolamento, porque o guaiamum é treloso e não curte abadá.
Vocês, aí do outro lado, assistem o BBB e, enquanto isso, na sala da justiça, a gente sobe e desce ladeira. E, vou te contar, quanta ladeira, viu?
E já começamos a dançar ao som das alfaias do maracatu, porque, nem sempre lily toca flauta!
É como um culto, uma ceita.
Nos dias de momo, Deus é recifense e abençoa seus fieis dos blocos de rua ou dos bailes de gala, sem distinção de cor, sexo ou idade.
Menos Luiza, que continua no Canadá.
Nota para os leitores de fora do Nordeste:
1 – Em negrito no texto, os nomes de alguns blocos que a gente ama.
2 – Mas, quem é Luiza e o que porra ela foi fazer no Canadá, eu não faço ideia. Segue o vídeo publicitário, feito em João Pessoa, que lançou Luiza ao estrelato. Uma pérola do universo criativo que provavelmente foi feito pela Tosco Comunicação, ou algo do tipo.
Adoro viajar. Qualquer pessoa com três neurônios e 50 centavos de espírito de aventura, adora viajar.
Ver muros diferentes, calçadas diferentes, prédios diferentes.
Navegar é preciso. Turistar é, muitas vezes, questão de vida ou morte.
Minha conta bancária discorda. Sabe como são as contas bancárias: umas reacionárias que adoram ser o centro das atenções e as estraga prazeres da crônica! Umas amostradas, a bem dizer.
Mas, não satisfeita em me render ao meu atual estado sócio/econômico, resolvi fazer turismo dentro da minha própria cidade! E descobri que, apesar de suja e mal cuidada, Recife continua linda.
Descobri também que, fazer turismo local, tem grandes vantagens:
- Primeiro que você já conhece os locais bocada e não vai sair por aí dando pinta com sua câmera digital hd, que foi dividida em 12 vezes no cartão ( e a última parcela ainda não foi paga).
- Segundo que dificilmente o taxista vai te enrolar.
- E finalmente, a última e mais importante vantagem, é você passar a conhecer uma cidade que estava ali, o tempo todo, enquanto você estava ocupado(a) demais para ver.
Piegas, brega e barrista, eu sei.
Mas, a verdade é que a gente é piegas, brega e bairrista mesmo. Vai encarar?
*A seguir, fotos tiradas por mim (e por isso mesmo, enquadradas na categoria “meia boca”) num dia nublado no Recife!
“Rios, pontes e overdrives impressionantes esculturas de lama. Mangue, mangue, mangue, mangue….
É macaxeira, Imbiribeira, Bom pastor, é o Ibura, Ipseb, Torreão,Casa Amarela
Boa Viagem, Genipapo, Bonifácio, Santo Amaro, Madalena, BoaVista, Dois Irmãos
É Cais do porto, é Caxangá, é Brasilit, Beberibe,CDU, Capibaribe, é o Centrão
Eu falei!” Chico Science
Hoje é o aniversário de 15 anos do bloco mais cool do Recife! Criado por jornalistas, publicitários e designers, o AMANTES DE GLÓRIA faz festão hoje a noite, no Clube Atlântico, com direito a valsa à meia-noite e 15 fitinhas no bolo.
E você, é amante de Glória? O Batida é!
O dress code é verde e branco! Aqui algumas fotênhas da prévia do ano passado para inspirar os carnavalescos de plantão. Bora? Um, dois, três e já!
90% das pessoas que decidiram começar o ano fazendo regime, já desistiram. As que resolveram fazer exercício ou se alimentar saudavelmente, provavelmente também já mudaram de ideia.
Mas não eu! Minha resolução de ano novo era assistir mais filmes e, desde que 2012 começou, já assisti mais películas do que durante 2011 todo. Sério.
Posso me considerar uma filmemaníaca, versão fim do mundo. Sei lá, vai que essa porra acaba mesmo. Não dá para chegar ao apocalípse (edição Maias X Nostradamus) sem ter assistido aos melhores (e piores) exemplares da sétima arte.
Confesso que só consegui a façanha de ver tantos filmes graças a expertise virtual tabajaras do meu filho adolescente! Nada como ter um teenager por perto para te ensinar a baixar o TORRENT (programa para baixar filmes, para quem é analfabeto virtual, como eu) e explicar que o melhor site de procura de filmes para download é o www.isohunt.com (fica a dica).
Munida de todos esses aparatos tecnológicos da nossa vida capitalista moderna, fui para o google pesquisar as lista dos melhores filmes de 2010 e 2011 (sim, eu estava com, pelo menos, dois anos de atraso). Mas, os sites e blogs de filmes com o TOP 10 para as férias só tem lista de títulos infantis. Tipo: “só criança tira férias, vai trabalhar vagabunda!”.
Mas, insistente e persistente (tá sem job diga), fucei a rede até achar filmes interessantes e baixar TODOS.
Aqui, segue a lista dos 10 filmes que indico e dois que desindico (sim, eu invento palavras)!
Lars Von Trier é meu queridinho desde a época do Dogma 95 (manifesto onde ele pregava o fim dos filmes com orçamentos artonômicos). Era estilo um Glauber Rocha moderno: uma câmera na mão e uma ideia na cabeça. E ideia é uma coisa que Von Trier tem! Mesmo depois de ele ter feito a merda de dizer, no último festival de Cannes, que “entendia Hitler” (o que fez ele ser expulso do evento), eu continuo gostando dos filmes do cara.
MELANCOLIA – Já falei dele por aqui e, provavelmente a maioria das pessoas já assisttu. É lindo e comovente. Fala do planeta Melancholia, que vai colidir com a Terra. Mas fala, principalmente, da malancolia dentro de todos nós. Filme 5 estrelas. Do tipo que o mundo não pode acabar antes do você assitir!
ANTICRISTO - Tenho certeza absoluta que a expressão “cinema desconforto” foi inventada depois deste filme. É o tipo da película que faz você se mexer na cadeira o tempo todo. É lindo mas dá aflição. É comovente mas dá agonia. Um confusão de sentimentos e imagens tão grande que você não pode deixar de assistir. Fala da perda de um filho, de terapia, de superação e da loucura que todo mulher tem.
É, somos loucas, caras colegas, e Von Trier adora lembrar isso!
Com a lua passando por Câncer, que segundo minha amiga e astróloga particular, Lu Borges, faz todo mundo chorar, chorei litros com estes dois filmes.
E, olhe que não sou do tipo chorona. Sério.
BEAUTIFUL BOY - Fala da perda de um filho, o que já faz a pessoa começar a chorar antes mesmo dos créditos iniciais. Mas, não bastasse a tragédia familiar, o filho em questão é um daqueles serial killers americano que, antes de se matar atira nos amigos da escola. Já ouvimos histórias assim nos telejornais internacionais mas o fato é que ninguém se pergunta o que acontece com os pais de uma criatura dessas! Fala-se do monstro assassino, das vítimas inocentes mas, nada sobre os pais. Esse filme fala! Vale o download.
Neve Let Me Go (Não Me abandone jamais) – ganhou até Oscar (o que não significa muita coisa e sempre me deixa com o pé atrás.) Sei lá, acho que se os americanos , os mesmo que se acham donos do mundo, gostaram, deve ser uma porcaria. Às vezes me engano. Desta vez me enganei ao quadrado. O filme é lindo e triste. O roteiro é futurista e mostra uma realidade alternativa. Se fosse parar nas mãos de um George Lucas da vida, ia parecer uma ficção daquelas impossíveis de acontecer na vida real. Mas, como foi dirigido por Alex Garland, a ideia de criarem crianças com o objetivo de se tronarem doadoras de orgãos no início da fase adulta, parece absolutamente plausível. O filme fala de amor e morte com a mesma intensidade e importância. Merece estrelinha no caderno (mesmo tendo sido aclamado pelos americanos).
Alguns filmes são bons. Outros são bonitos (esteticamente falando) e nem precisam ser tão bons assim. Valem pelo exercício imagético. Valem pela beleza.
Quando junta beleza com um roteiro bom (não extraordinário, mas bom), vale o download.
Sleeping Beauty – A bela adormecida do filme é uma universitária que se prostitui para complementar sua renda. Num desses trabalhos, ela aceita ser drogada para que, enquanto dorme, os clientes possam aproveitar da sua beleza (sem ela saber o que acontece). A ideia é boa, a atriz é boa, as cenas são bonitas. O filme, que tinha tudo para ser bom, não é lá nenhuma obra de arte. É chato às vezes, repetitivo às vezes. Mas é bonito. Ponto, parágrafo.
The Tree Of Life – tem Brad Pit no elenco (o que faz valer o download automaticamente). Imagens e mais imagens (com pouquíssimos diálogos) belíssimas mostram o começo do mundo e o surgimento da vida. Em alguns momentos você pode jurar que está assistindo um documentário da Discovery Channel sobre o Big Bang ou algo do tipo. Aí, de vez em quando, aparece Brad e sua família pra te lembrar que é um filme. Cheio de citações da bíblia, a película fala do fim do mundo, do amor e desentendimentos em família, de tristeza e de morte. Tudo junto misturado, com direito a uma cena com dinossauro e explosões de estrelas. Confuso, mas bonito.
I LOVE WOODY ALLEN! Juro que vou fazer uma camiseta assim, declarando meu amor ao cineasta!
Meia Noite em Paris – Eu, provavelmente era, até então, a única pessoa do sistema solar que ainda não tinha assistido o filme mais falado e comentado de 2011. AMEI. Não só por ser um filme de Woody Allen, mas por falar de literatura e mostrar Paris como poucos filmes mostraram. Quando acabou, eu queria largar tudo e virar escritora em Paris. Se não assistiu, vá na locadora AGORA ou vá para o isohunt imediatamente.
You will Meet a Tall Drak Stranger (Você vai conhecer o homem da sua vida) – Esse é um filme mais típico de Allen. Divertido, ele fala dos nossos dramas do dia a dia de maneira leve e inteligente. Um mistura de personagens e loucuras tão parecidas com as nossas prórpias loucuras. Estrelinha no caderno!
Momento “quero ser adolescente”! Filmes que transpassam o limite de “filme indicado para maiores de…” e servem para toda e qualquer idade em toda e qualquer época.
SUPER 8 – É o E.T desta década. Faz você querer ser criança, morar nos Estados Unidos e ser filho de Spielberg! O filme tem tudo que a gente gosta: aventura, mistério, efeitos especiais, bicicletas, crianças destemidas, uma cidade limpa e com árvores, adultos legais, mocinhos e bandidos. Esse Steven Spielberg é um danado.
Alice no País das Maravilhas – Todo mundo já viu, eu sei. Mas, vai minha impressão mesmo assim: Alice é louca, o chapeleiro é surtado, o coelho é drogado, a rainha branca é uma dondoca e Tim Burton é um gênio. I rest my case!
É possível, improvável mas possível, que estes dois filmes tenham se tornado histórias incríveis depois dos 50 minutos de exibição. Não posso afirmar porque desisti (dois dois) aos 45 minutos do primeiro tempo.
Não gosto de desistir de um filme na metade. Insisto, dou uma segunda chance, apelo para o elemento surpresa.
Mas, quando você começa a olhar a barra de rolagem do computador para ver “quanto tempo ainda falta pra aquela merda acabar”, não é um bom sinal.
O Garoto de Liverpool – já começa com um erro grave: a tradução do título! O original é NOWHERE BOY, que significa Garoto de Lugar Nenhum. Lugar Nenhum é bem diferente de Liverpool. Bem diferente. Lugar Nenhum e Liverpool não estão nem no mesmo continente. Passada a frustração da tradução, o filme é ruim. O ator é ruim. A direção é péssima. Gosto de John ( o filme conta a história de John Lennon antes dos Beatles) e estava super afim de conhecer um pouco mais sobre o cara que mudou a música mundial mas, pelo roteiro, John era um chato babaca. Pra não começar a odiar os Beatles por tabela, parei de assistir com 40 minutos de história. Se ficou bom depois não sei, não quero saber, tenho raiva de quem sabe.
INCEPTION - O filme é “quero ser Matrix quando crescer”. Junta muita ficção com muito efeito especial e um história confusa e mal resolvida. Parei de assitir com 43 minutos. Vai que depois se transformou num filmão! Duvido.
Então agora o TORRENT e o ISOHUNT são meus mais novos amigos de infância. Se tiver online eu baixo, assisto e depois conto aqui.
Também aceitos sugestões de filmes incríveis.
Já visitei lugares frios.
Já inclusive morei em lugar frio.
E posso dizer que, ser de Recife e viver num sol de 40 graus na sombra só tem duas vantagens:
-não dormir de meia
-beber cerveja gelada na calçada de um bar.
Fora isso, é uma merda (que me desculpem os canadenses, que acham que morar em lugares tropicais é super legal).
Antes de sair por aí espalhando isso nos panfletos de turismo, vai pegar um ônibus na Avenida Caxangá às 11 da manhã e depois a gente conversa, ok?
Sim, eu moro onde você passa férias!
E afirmo, com conhecimento de causa, que calor não é bom.
Se for calor mais praia mais maresia, piorou. Vamos às equações:
Calor + litoral = umidade.
Sabe o que significa isso, caro amigo gaúcho?
Significa suor, roupa grudenta, pele oleosa, cabelo seboso. Isso nos dias de inverno.
Se for verão, significa câncer de pele (na melhor das hipóteses).
Quando é calor + maresia = bicicleta enferrujada.
Mas, deixemos esse pessimismo de lado e vamos nos concentrar nas vantagens!
Não dormir de meia é, além de mais agradável, importante para sua reputação e vida social/amorosa. Você, cara colega solteira, não vai correr o risco de levar um pretê para sua casa e o rapaz dormir ou fazer você sabe o que, com o acessório da Lupo. Por mais burguês, boyzinho e sem noção que o cidadão seja (é, às vezes a gente tá no desespero e nosso controle de qualidade baixa um pouco), o calor não vai deixar ele ficar de meia.
Uma salva de palmas para o calor!
Calor 1 X 0 Frio.
E, quando eu estava preparada para abrir o placar e dar uma goleada no frio, eis que o querido Prefeito da minha ensolarada cidade, vetou o prazer da vantagem 2: tomar cerveja gelada na calçada de um bar!
Não, ele não proibiu a cerveja. Ele vetou a calçada!
A calçada, minha gente!
Sabe os cafés de Paris que tem mesas bucólicas nas calçadas? Pronto, os franceses ficam contando os dias no calendário das estações para que, com o calorzinho, eles possam sentar elegantemente nas calçadas para saborearem um expresso de marca brasileira!
Então, aqui no Recife nos temos o café, a cerveja, o calor, o bar mas não temos a calçada!
Acho errado carro na calçada, lixo na calçada, gelo baiano na calçada!
Mas venho, através desta, reivindicar meu direito de tomar uma cerveja gelada na calçada!
Não quero me amontoar em bares fechados com ar condicionado e cartão de consumação. Não quero ficar em fila de espera para pedir uma Original. Não quero pagar couvert artístico.
Como cidadã brasileira, tenho direito à mesa de plástico com cerveja gelada no copo americano na calçada do meu bar favorito.
Não acho que seja pedir muito!
Sou como Antônio Prata, “meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins”.
A decisão de Juan De la Costa (que no momento está em Buenos Aires, provavelmente almoçando numa charmosa calçada de algum restaurante argentino), vem disfarçada de expressões como “mobilidade urbana”. Que na real significa “não fiz nada até agora, então tenho que tirar o atraso e proibir tudo que eu puder proibir”.
É a máxima “falem mal, mas falem de mim”.
Enquanto ele está na Argentina, onde a calçada é liberada, a gente fica aqui; sem transporte bom, sem ciclovia, sem salários decentes, sem política pública de qualidade, sem incentivo à cultura e sem calçada!
* posso apostar de Juan dorme de meia!
O Papa Bento ____ (insira aqui o numeral romano de sua preferência) fez o Bolsonaro e disse, num momento “misturei uísque com rivotril”, que o casamento entre homossexuais é uma ameaça à humanidade!
Considerando a “importância” do líder religioso no mundo atual, essa afirmação tem o mesmo peso político do que se ele tivesse dito: “deixar a toalha molhada em cima da cama, é uma ameaça à humanidade”. Ou, sei lá, “usar condicionador para cabelos lisos, tendo cabelos cacheados, é uma ameaça à humanidade.”
Não faz diferença nenhuma. Não na teoria.
Na prática aumenta o preconceito dos seus seguidores em relação aos gays.
Ops, agora é politicamente incorreto dizer gay, ou melhor, é uma ameaça à humanidade. Então, o nome correto é homossexual.
Aí, o pessoal do fã clube do papa, acredita que é ok chamar o cara de homossexual filho da puta que vai destruir a humanidade! Portanto que não chame de gay, está tudo certo.
Hosana nas alturas. Aleluia, amém.
Acho que com tanta agitação e depoimentos polêmicos, os católicos apostólicos romanos esqueceram de ler aquela parte da Bíblia que fala “amai-vos uns aos outros….e coisa e tal, coisa e tal.”
Agora a casa caiu jogador.
Como é a toda poderosa Igreja Católica vai se explicar, dessa vez?
Se já estava difícil vocês explicarem a proibição da camisinha e um passado com guerras santas, crucificações, censura às ciências e às artes, pedofilia e apoio às ditaduras, com essa colega, vocês estão fudidos. Tipo assim: coisô.
A verdade é que, se a Igreja não fosse tão rica, seria (num sistema democrático ideal) julgada e condenada por crimes contra a humanidade. Sim, por que no fim do dia, o que é uma ameaça ao mundo é um Papa louco com seguidores lunáticos.
Se a moda pega, teremos um Jim Jones all over again.
Que você, caro leitor, seja religioso, tudo bem.
Se rezar e acreditar na vida após a morte, beleza.
Só não acho ok você acreditar que duas pessoas se amarem (independente de raça, cor, sexo, religião) seja pecado. Muito menos, uma ameaça à humanidade.
Eu, particularmente, só acredito na Second Life virtual, aquela que se joga online.
Acho que depois que morreu, é tchau e benção. Beijo,me liga. Sem mais.
Por isso, acredito que as coisas têm que ser resolvidas por aqui mesmo; sem after life, sem pecado original, sem pecado, ponto.
Concordo com Saramago quando ele diz que “quando a Igreja inventou o pecado, inventou um instrumento de controle”.
Então, Sr. Bento, aguarda no local porque aqui estamos preocupados com problemas de verdade.
No Recife, por exemplo, ameaça à humanidade é reeleger o prefeito. No Brasil, o que ameaça é o BBB.
Aqui em casa, é a conta da luz!
Cada um com seus problemas.
*A seguir, vídeo com George Carlin, o maior comediante de stand up do mundo, falando sobre igreja/religião e afins. VALE A PENA ASSITIR ATÉ O FIM (mesmo se você for cristão de carteirinha e tiver odiado meu texto).
A palavra é….. (uma homenagem simbólica e tardia aos amigos publicitários)!
Referência!
Referência é a palavra do século.
Se você for ouvrir música, é preciso ter referências.
Se for ler, referências são indispensáveis
Se for descascar bananas, vai ter que ter referências. Afinal, alguém, em algum lugar do Google, tem um manual completo de como descascar bananas da melhor maneira, sem sujar as mãos e sem tirar as propriedades nutritivas da fruta.
Referências são ok, se, e apenas SE, interpretadas de forma literal como sendo:
- relação de umas coisas com as outras
- alusão
Em publicidade, referência significa outra coisa. Na minha querida e nobre profissão, a palavra quer dizer : “cópia fiel”.
Tipo, se você recebe um roteiro com um link de algum comercial feito na Noruega com a observação * filme para referência, você está fudido. Isso porque aquele link significa que, mesmo que seu cliente só tenha o orçamento para filmar a festa de aniversário da filha, ele vai querer que o vt fique IGUAL ao da Noruega. Ou da Austrália, ou de Berlim.
Às vezes a referência é Matrix e a verba é um bolo de bacia com caldo de cana.
Então você rebola, na velocidade oito, e entrega um filme de 10 mil com cara de 500 mil. Pra ontem, claro.
É assim, a gente mata um orçamento por dia.
E, por falar em dia, por esses dias foi o dia do publicitário.
Meus colegas de profissão e labuta tiveram uma segunda-feira de liberdade condicional.
Um feriado inteiro só para eles.
E melhor ainda que foi numa segunda assim, tiveram tempo de ir no dentista, levar o filho no médico, passar no banco, chamar o encanador, pegar a lista de material escolar, trocar o presente de natal, levar o carro na oficina, e todas aquelas coisas que eles não tiveram tempo de fazer durante o ano inteiro.
Porque, até a Coréia do Norte tem mais liberdade que publicitário.
Na real, a referência capitalista mundial é: classe média se lasca, classe operária se lasca, e você, dono da empresa vai para Paris tomar um café!
Então, apesar deste texto ser uma simbólica homenagem aos amigos criativos, a gente sabe que trabalhar muito e ganhar pouco não é privilegio da classe!
Você que é jornalista deve estar pensando – “pior sou eu que trabalhei no reveillon fazendo a contagem dos mortos/assassinados”. E pior foram os médicos que deram plantão na noite de natal. Ou os policiais que tiveram suas férias suspensas pelo Governador. Ou, ou, você sabe quem que, mesmo tendo uma cidade para cuidar, foi passar férias em Buenos Aires!
Então, pegue sua referência e vá descascar sua banana longe de mim!
Outro dia li no blog de Juliana Cunha que “se existem Deuses, eles devem usar golas removíveis”. Eu concordo. O acessório dá um ar nobre, rico, chic, exclusivo, apesar de ser bem fácil e barato de fazer.
Então, aproveita as férias e mãos a obra, porque o Batida te dá o passo a passo de como fazer a sua própria gola!
Ainda no rastro do sucesso de Black Swam, a atriz Mila Kunis (que até pouco tempo era elenco de apoio da série “That 70’s Show”) foi escolhida para estrelar a nova campanha da DIOR. Toda poderosa e fazendo a linha sofisticada (bemmm diferente da drogadinha sem noção do filme) a moça foi fotografada em Nova York pelo fotógrafo Mikael Jansson (praticamente o Michael Jackson dos editorias de moda).
A campanha primavera/verão 2012 da Dior será lançada este mês.
Conheci Allan Sieber na época que ele fez o “Deus é pai” um curta em animação onde Deus e Jesus vão para a terapia resolver uns “probleminhas” entre pai e filho. Amei de imediato!
De lá pra cá, Allan ja inventou de tudo: roteiros, quadrinhos, vinhetas para tv e cinema e, claro, umas tirinhas impagáveis.
E, pra começar o ano bem, ele criou novos mandamentos que se enquandram melhor na realidade que a gente vive agora.
Pra conhecer o site de Alla, é só clicar AQUI!
Estou num final de semana musical!
Depois de passar a semana assistindo filmes como se não houvesse amanhã (para cumprir minha promessa de ano novo), larguei a sétima arte pra dançar.
Ontem encarei o Mercado Eufrásio Barbosa para assistir Eddie e Lirinha.
O Eufrásio continua quente, continua fedendo, continua pequeno.
Fabinho continua desafinado (apesar de continuar bonitinho) e Lirinha continua com cara de usuário de crack.
Mas nada disso atrapalhou a noite! Os shows foram incríveis e cada um, mostrando o trabalho dos respectivos novos cds, fez o povo dançar e esquecer que o lugar era quente, que Trummer é desafinado e que Lirinha veio da cracolândia direto para o Recife.
Coisas que só a música é capaz de fazer por você.
Hoje tem China e seu pocket show livraria Cultura. A entrada é 1kg de alimento não perecível e a balada domingueira começa às 17h.
Eu vou porque o final de semana só serve mesmo pra dançar!
*Pra você se animar, segue clip de China feito com a participação dos fãs.
Não acreditei quando o “turista acidental” tirou uma foto bem na hora do atentado do World Trade Center no 11 de setembro. Também não dou crédito aos emails com apelos dramáticos de pessoas desaparecidas ou causas humanitárias urgentes (que dependem, invariavelmente, de você repassar o email para toda sua lista de contatos).
Não acho que a Avenida Caxangá seja a maior em linha reta da América Latina ( e se for, grande merda!), nem que a menina do algodão vive e assombra o banheiro do colégio Salesiano.
Posso me considerar uma pessoa relativamente racional. Inteligente até.
Duvido da astrologia. Não dou crédito aos boatos do fim do mundo nem a adivinhações sobre o futuro (se bem que fiquei bem impressionada quando uma cigana foi ler minha mão. Ela olhou e disse: muito complicada, esquece!).
Então, fui obrigada a achar que ela era charlatã, apesar do fato de ela não querer meu dinheiro, nem ler minha mão, nem olhar pra minha cara.
Superei. Continuo cética. Incrédula.
Mas, quando um assunto sai nos principais jornais da província, acompanhado de entrevistas com especialistas, eu acredito, né?
Eu li, juro.
Eles diziam, com todas as letras: chuva de meteoros….só no Norte/Nordeste….astrônomos…estrelas cadentes.
Um boato institucionalizado. Aí é foda!
Eu e Victor nos preparamos: procuramos a bússola (porque ia ser no Norte), achamos um binócolo que pertenceu ao meu avô, organizamos o kit sobrevivência, tomamos café para não ter sono. Ficamos de pé até as 3:30 da madrugada. E, tcharam…. era BOATO!
Nada. Não chuveu nem água, quanto mais meteoro!
Zero % de estrela cadente trans.
Ok que o último boato rendeu texto, piadas. Tudo bem que Recife já tem fama de boateiro e tal. Mas, já perdeu a graça, ok?
Bem feito. Quem manda acreditar em tudo que se lê no jornal.



















































